Blog do Deco - Noticias, comentários e novidades sobre o Rally Dakar e provas de Rally Cross Country e Off Road, no Brasil e no mundo.Destaque para a Copa RallySP e para a Copa Troller. Sugestões: decomuniz@rallysp.com.br
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Capa “Le Petit Journal”, anunciando o Paris-Rouen
Durante as inscrições todos os tipos de veículos foram admitidos, mas após as eliminatórias 21 deles se classificaram para o grid, pois apenas carros movidos a vapor e a combustão foram aceitos para a corrida. Os participantes variaram de fabricantes sérios como a Peugeot, a Panhard ou De Dion, para os proprietários e fabricantes amadores. Destes 8 eram a vapor e o restante à combustão interna. A prova teve 126 kms com a participação de 21 carros, com o conde Albert De Dion com um modelo a vapor de fabricação própria sendo o mais rápido completando o percurso em 6h48m à incrivel média de 18,67 km/h, mas o competidor viria a ser desclassificado. Ele terminou 3'30 "à frente de Georges Lemaître (Peugeot), seguido por Doriot (Peugeot) com um diferença de 16'30", René Paul Panhard (Panhard) com 33'30''e Émile Levassor (Panhard) com 55'30 ".
Conde Albert de Dion em seu De Dion-Bouton, carro que conseguiu o melhor tempo na prova, mas não levou a vitória.

Georges Lemaître - Peugeot 3hp

Auguste Doriot - Peugeot 3hp

Kraeutler - Peugeot 3hp
Naqueles tempos as regras já eram bastante rigorosas. Conforme os pilotos iam cruzando a linha de chegada, o organizador da prova, Pierre Griffard, ia anotando os dados de cada carro, para saber quanto tinha sido gasto de combustível, de carvão (no caso dos carros a vapor), e daí em diante. O regulamento obrigava também a divisão do volante por dois pilotos, o que não aconteceu e a vitória mudou de mãos. Triste a constatação de que com o esporte motor, nasceram também as "vitórias na secretaria", nosso popular tapetão!

Resultado dos tempos obtidos pelos 21 carros inscritos no Paris-Rouen
Na verdade os carros foram julgados pela sua velocidade, movimentação e as características de segurança. Segundo uns por ter sido considerado demasiado grande e, segundo outros, por De Dion ter sido auxiliado por um fogueiro que alimentava o motor, o De Dion-Bouton foi relegado para o segundo lugar, sendo a vitória atribuída em conjunto a um Panhard e a um Peugeot (a marca é forte na modalidade desde sua primeira prova)! 
Emile Levassor, 4º melhor tempo com um carro de fabricação própria (em parceria com René Panhard, ao seu lado na foto), mas declarado um dos vencedores
Michaud - Peugeot Phaeton 3hp

Vacheron num carro Vacheron (fabricação própria)
De Dion, furioso com a desclassificação e acabou por fundar naquele mesmo ano o Club Français de Tourisme, pouco depois transformado no Automobile Club de France (ACF), com o objetivo de organizar corridas de automóveis mais competitivas e profissionais, entidade que viria a desempenhar papel determinante na consolidação do esporte motor. O pioneirismo da iniciativa, onde apenas se verificaram 4 desistências (todos eles veículos a vapor) demonstrou a raça e o espírito de competição dos participantes bem como a qualidade das máquinas. Naqueles tempos era um desafio percorrer caminhos que não estavam preparados para receber este tipo de veículos, assemelhando-se mais propriamente a uma prova de rali do que a outro gênero de competição, devido ao seu caráter de teste à resistência dos veículos. Nascia assim uma modalidade espetacular, cujas provas movimentam multidões, despertam emoções e glorificam os mais audazes e predestinados pilotos e navegadores.
A prova cruzando o centro de Paris
As fotos utilizadas neste post são de Domínio Público (conforme as Leis Internacionais de copyright)
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