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História do Rali - Parte 2: Paris-Rouen 1894.


Publicado por DECO MUNIZ em 18/02/10 às 01:30 na(s) categoria(s) Histórias do Rally
Ao tomar conhecimento de que um assassinato havia sido cometido numa cidade próxima a Paris e ciente das dificuldades de locomoção existentes na época, o editor do Le Petit Journal, Pierre Griffard, não escondia sua irritação por não ter condições de se deslocar até o local do crime a tempo de retornar à capital francesa e publicar a reportagem na próxima edição do jornal.

 

Naquela época, o principal meio de transporte usado em viagens de longa distância era a carruagem, ainda longe de ser a melhor opção em termos de rapidez e conforto. Foi aí que Griffard resolveu pedir emprestado o carro movido a combustão de seu amigo Emile Levassor, mas sem a sorte de encontrá-lo em Paris naquele momento.

 

Desanimado por ver uma boa reportagem lhe escapar das mãos, surgiu-lhe a idéia de organizar uma corrida de carros, na intenção de estimular a construção de outros veículos ainda melhores e mais seguros, graças a uma boa premiação. No dia seguinte, os leitores do Petit Journal se depararam com o seguinte anúncio em suas páginas: Corrida de Paris a Rouen para “carros não movido a cavalos”. O tal anúncio informava também que um prêmio de cinco mil francos seria entregue a qualquer construtor que provasse que participar de corridas de automóveis, sem risco de morte ou ferimentos, era fácil e não muito caro.

 

 

Capa “Le Petit Journal”, anunciando o Paris-Rouen

 

Durante as inscrições todos os tipos de veículos foram admitidos, mas após as eliminatórias 21 deles se classificaram para o grid, pois apenas carros movidos a vapor e a combustão foram aceitos para a corrida. Os participantes variaram de fabricantes sérios como a Peugeot, a Panhard ou De Dion, para os proprietários e fabricantes amadores. Destes 8 eram a vapor e o restante à combustão interna.

 

A prova teve 126 kms com a participação de 21 carros, com o conde Albert De Dion com um modelo a vapor de fabricação própria sendo o mais rápido completando o percurso em 6h48m à incrivel média de 18,67 km/h, mas o competidor viria a ser desclassificado. Ele terminou 3'30 "à frente de Georges Lemaître (Peugeot), seguido por Doriot (Peugeot) com um diferença de 16'30", René Paul Panhard (Panhard) com 33'30''e Émile Levassor (Panhard) com 55'30 ".

 

 

Conde Albert de Dion em seu De Dion-Bouton, carro que conseguiu o melhor tempo na prova, mas não levou a vitória.

 

 

Georges Lemaître - Peugeot 3hp

 

 

Auguste Doriot - Peugeot 3hp

 

 

Kraeutler - Peugeot 3hp

 

Naqueles tempos as regras já eram bastante rigorosas. Conforme os pilotos iam cruzando a linha de chegada, o organizador da prova, Pierre Griffard, ia anotando os dados de cada carro, para saber quanto tinha sido gasto de combustível, de carvão (no caso dos carros a vapor), e daí em diante. O regulamento obrigava também a divisão do volante por dois pilotos, o que não aconteceu e a vitória mudou de mãos. Triste a constatação de que com o esporte motor, nasceram também as "vitórias na secretaria", nosso popular tapetão!

 

 

Resultado dos tempos obtidos pelos 21 carros inscritos no Paris-Rouen

 

Na verdade os carros foram julgados pela sua velocidade, movimentação e as características de segurança. Segundo uns por ter sido considerado demasiado grande e, segundo outros, por De Dion ter sido auxiliado por um fogueiro que alimentava o motor, o De Dion-Bouton foi relegado para o segundo lugar, sendo a vitória atribuída em conjunto a um Panhard e a um Peugeot (a marca é forte na modalidade desde sua primeira prova)!

 

 

Emile Levassor, 4º melhor tempo com um carro de fabricação própria (em parceria com René Panhard, ao seu lado na foto), mas declarado um dos vencedores

 

 

Michaud - Peugeot Phaeton 3hp

 

 

Vacheron num carro Vacheron (fabricação própria)

 

De Dion, furioso com a desclassificação e acabou por fundar naquele mesmo ano o Club Français de Tourisme, pouco depois transformado no Automobile Club de France (ACF), com o objetivo de organizar corridas de automóveis mais competitivas e profissionais, entidade que viria a desempenhar papel determinante na consolidação do esporte motor.

 

O pioneirismo da iniciativa, onde apenas se verificaram 4 desistências (todos eles veículos a vapor) demonstrou a raça e o espírito de competição dos participantes bem como a qualidade das máquinas. Naqueles tempos era um desafio percorrer caminhos que não estavam preparados para receber este tipo de veículos, assemelhando-se mais propriamente a uma prova de rali do que a outro gênero de competição, devido ao seu caráter de teste à resistência dos veículos. Nascia assim uma modalidade espetacular, cujas provas movimentam multidões, despertam emoções e glorificam os mais audazes e predestinados pilotos e navegadores.

 

 

 

A prova cruzando o centro de Paris 

 

As fotos utilizadas neste post são de Domínio Público (conforme as Leis Internacionais de copyright)

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