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Parque Nacional Grande Sertão Veredas


Por Jurandir Lima (arquivo) | 15/03/2004 - Atualizada às 15:46

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"O Sertão tá dentro da gente" (Guimarães Rosa em "Grande Sertão: Veredes").
Foto: Jurandir Lima
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por Jurandir Lima

"O Sertão é sem fim; o Sertão está em toda parte; o Sertão tá dentro da gente". Esta expressão define com precisão poética o cenário tão bem descrito por Guimarães Rosa em sua mais instigante criação, o romance "Grande Sertão: Veredas", eleito pelo jornal inglês "The Guardian" como uma das maiores obras literárias da humanidade, de todos os tempos.

O livro foi baseado numa viagem que o escritor fez pelo Cerrado mineiro, em 1952, acompanhando uma boiada, tocando 600 cabeças de gado. Guimarães Rosa, juntamente com oito vaqueiros, percorreu 240 quilômetros no lombo de uma mula, durante 10 dias. Anotava tudo que via e ouvia numa caderneta que levava pendurada no pescoço; a partir daí teve a inspiração para escrever a grande obra.

A idéia de homenagear o escritor e ao mesmo tempo proteger o ecossistema, formado por veredas e chapadões do cerrado, foram as premissas para a criação deste Parque que está localizado no norte de Minas Gerais, já na divisa com a Bahia. Se o Parque não tivesse sido decretado, em abril de 1989, certamente sua área de 84 mil hectares estaria ocupada por extensas e monótonas plantações de soja.

Paisagem - Percorrer o Grande Sertão Veredas é viajar na história, na cultura e na literatura. É mergulhar num lugar selvagem e encontrar os personagens vivos de Guimarães Rosa. É conhecer um vocabulário simples e peculiar. É compreender a sabedoria nata e a cordialidade dos seus moradores. É um outro mundo. O sertão nessa região não é tão cruel, mas sim belo e gigantesco. É um lugar onde não existem jornais, revistas nem televisão. Toma-se banho em rios e as casas são de barro. Não há luxo, nem conforto. O que se vê de sobra é esperança e perseverança do povo com mãos calejadas e vida cheia de histórias e luta.

Por aqui não existem cachoeiras caudalosas, nem cânions gigantescos, nem picos panorâmicos. O cenário é repleto de veredas, que surgem no meio do imenso Cerrado seco como um oásis de vida, recheada de palmeiras, flores e frutas. Tudo parece ter sido tirado das páginas do livro que batizou este Parque Nacional. Aqui, a aventura é muito mais sutil, muito mais poética, muito mais contemplativa. É uma expedição aventureira pelo desconhecido – e encantadora.


Jurandir Lima (arquivo)


Colaborador do Webventure, é fotógrafo, engenheiro ambiental e diretor da Trilhas & Trilhas Ecoturismo, que faz expedições e passeios em todo território nacional.

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