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Diversão nas agulhas do Vale do Refúgio Frey, na Patagônia


Por Danielle Pinto | 09/03/2010 - Atualizada às 10:51

Danielle Pinto escalando na agulha Campanille, via Buch Going
Danielle Pinto escalando na agulha Campanille, via Buch Going
Foto: Arquivo Pessoal
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Faça tempo bom ou ruim o Vale do Refúgio Frey, em Bariloche, sul da Argentina é garantia de diversão. Algumas vezes o lugar nos faz chorar de medo, chamar a mãe, tremer de frio, enlouquecer com o soprar do vento forte nas orelhas, mas quanto maior o desafio maior a satisfação no fim do dia. Esta temporada foi assim, testando todo o momento a motivação do escalador.

O Vale recebeu brasileiros desde o início da temporada. Na segunda quinzena de dezembro, com a neve ainda tomando conta dos sítios de acampamentos ao longo da lagoa, catarinenses e cariocas ocupavam os arredores do refúgio com suas barracas. A turma que passou pelo Frey em dezembro enfrentou muito vento, nevasca e baixas temperaturas. O calor mesmo só na memória dos brasileiros. Mas tendo vontade sempre alguma coisa a gente escala. A opção era escolher as vias abrigadas do vento e que pegavam sol durante boa parte do dia, quando raramente ele mostrava suas caras.

O primeiro de janeiro chegou com sol e a esperança de clima bom, mas as coisas só foram melhorar mesmo a partir da segunda metade de janeiro. Aí sim foi possível escalar sem bater os dentes. O vento ainda persistia, mas este é companhia freqüente do escalador que procura as agulhas de granito da patagônia, o jeito é se acostumar. Nesta janela de tempo bom, os escaladores aproveitaram para visitar as agulhas mais longes e tentar as vias mais longas e expostas ao clima patagônico.

Teve dia de ter três cordadas escalando a via Sinistro Total, na Torre Principal, famosa pela sua dificuldade técnica, e por estar localiza em uma face da agulha que pega pouco sol e muito vento. Do cume da Principal, a agulha mais alta do vale, se escutava gritos de escaladores, muitos brasileiros, nos cumes da agulha Campanille, Cohete e Banana todos desfrutando do bom clima depois de tantos dias de espera.

Mudanças climáticas, novamente - Claro que, depois de mais de quinze dias de tempo bom, uma hora as coisas iriam mudar. A princípio, um ou dois dias de tempo ruim é bom para descansar sem aquele peso na consciência de estar perdendo um dia bom. Porém, o que aconteceu no início de fevereiro foram cerca de oito dias seguidos de tempo ruim, nas suas mais variadas possibilidades.

O vale do Refúgio Frey chegou a ficar inabitado, com apenas algumas barracas abandonadas pelos seus moradores que desceram para passar o tempo ruim em Bariloche. A promessa, segundo a turma do Refúgio, era que as coisas iriam melhorar a partir do dia 11, e que no dia 13, data que aconteceria o campeonato de escalada Rock Máster no vale do Frey, a temperatura chegaria a 28 graus. E assim foi.

O evento, realmente não sei como foi, pois aproveitamos a janela de tempo bom para fazer um bivaque na base da agulha Campanille, localizada a cerca de uma hora e meia de caminhado do refúgio e considerada por muitas a agulha mais atrativa do vale por suas paredes verticais e rocha de boa qualidade. Não fomos os únicos que desfrutaram do Campanille nestes dias, a agulha estava sempre movimentando recebendo até três cordadas por dia, Buch Goin e Imaginate, sempre disputadas. E já cansados, perdemos o último dia de tempo bom. O tempo voltou a fechar, e a saudade do Brasil e do calor foi maior.

Danielle Pinto


A montanhista de Curitiba (PR) é também jornalista e fotógrafa. Em sua coluna no Webventure, aborda temas ligados aos esportes de aventura e viagens, principalmente escalada. Danielle também mantém o blog www.imaginate.com.br, onde posta suas aventuras pelo Brasil e mundo. Ela conta com o apoio do Refúgio de Montanha 5.13 e da Flora Roupas Esportivas.

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