Roberta na cabalito de totora
Foto: Junior Canchumanya
As tradicionais canoas ao fundo
Foto: Junior Canchumanya
Borsari pegando a esquerda mais longa do mundo
Foto: Jesus El Zorro
A atleta de caiaque
Foto: Jesus El Zorro
Borsari pegando a esquerda mais longa do mundo
Foto: Jesus El Zorro
Passando a arrebentação com a canoa
Foto: Junior Canchumanya
Com o remo de carbono de SUP
Foto: Junior Canchumanya
Ainda sentada, pra pegar o jeito
Foto: Junior Canchumanya
A praia, vista da piscina do resort
Foto: Arquivo pessoal
As cabalitos de totora expostas
Foto: Junior Canchumanya
Borsari em Chicama, no Peru
Foto: Junior Canchumanya
A colunista entre os muros de Chan Chan
Foto: Arquivo pessoal
Borsari em El Brujo, perto de Tujillo
Foto: Arquivo pessoal
Segundo uma lenda chamada Kimu, os adolescentes da aldeia peruana Mamape passavam, aos 13 anos de idade, por um ritual de passagem para vida adulta, que consistia em entrar no mar revolto em embarcações rústicas, produzidas de caules e folhas de junco. Eles tinham de sair vivos de lá, provando ter dominado o mar para se tornarem pescadores de verdade.
Kimu era filho do chefe da aldeia e tinha receio do mar. Seu pai, então, construiu uma embarcação – mais tarde nomeada
cabalito de totora – com a proa (parte da frente) mais alta, para que o menino pudesse ultrapassar as grandes ondas do Pacífico.
Ao encarar as ondulações, Kimu então prometeu aos deuses que, se voltasse vivo à praia, daria sua primeira pesca como oferenda. Ele surfou uma grande onda e, mais tarde, ainda se tornou o melhor pescador da aldeia. E desde então surfar como um ritual acontece em Chicama, no norte do Peru.
Esta é apenas uma das lendas existente no local que escolhi para surfar de caiaque e de stand up paddle (SUP) na esquerda mais longa do mundo, com 1 a 2 quilômetros de comprimento. Mas, na verdade, acabei encontrando muito mais que apenas ondas perfeitas. Conheci uma cultura riquíssima, com dezenas de sítios arqueológicos para visitar, culinária deliciosa para experimentar e histórias pré-incas incríveis para ouvir.
Dentro d´água. A cidade de Chicama é mundialmente conhecida por oferecer a onda de esquerda mais longa do mundo. E também por ter um hotel, o Chicama Surf Resort (www.chicamasurf.com), que oferece um serviço único: um bote a motor para levar os surfistas e os canoístas ao ponto de início do surfe. Assim, toda a energia do esportista é gasta apenas para dropar.
Localizado de frente para o mar, com um visual de deserto e mar incrível, o resort tem outros mimos para aqueles que desejam surfar, como aluguel de pranchinhas, longboard e SUP e uma equipe preparada para cuidar de seus equipamentos. No meu caso, isso fez toda a diferença, pois transportar no avião um caiaque mais pranchas não seria fácil. Assim, levei apenas o caiaque.
Nos primeiros dias por lá, surfei de caiaque, para fazer o reconhecimento do pico, pois este é o equipamento com o qual me sinto mais à vontade. Nos dias seguintes, foi a vez de me esbaldar no SUP, esporte que ainda estou me desenvolvendo. Depois, fiquei sabendo que fui a primeira mulher a surfar de SUP em Chicama! E para relaxar depois do surfe em águas geladas, sauna, jacuzzi e massagem eram as opções.
Outra experiência especial foi remar nas tradicionais
cabalito de totora, que já eram usadas para pescar e surfar há 5 mil anos. Elas representam os primórdios do surfe! Fui à praia de Hunchaco, a 45 minutos de Chicama, onde o visual é interessante, com as canoas expostas na praia – até hoje os pescadores as usam para trabalhar.
O prazer de unir a alta tecnologia de um remo de carbono com a mais tradicional e antiga embarcação peruana foi um momento a se registrar! Um pescador me deu uma rápida aula de como conduzir a embarcação e lá fui eu pra água: primeiro utilizei o remo de caiaque, sentada, tentando pegar umas ondinhas; depois, dei umas voltinhas de pé com o remo de SUP. Foi demais!
Fora d’água. Outro lugar para visitar são as ruínas de El Brujo, que foi um centro religioso no Vale de Chicama. Ali, se reuniam bruxos, sacerdotes e curandeiros, em cerimônias em templos e tumbas no meio do deserto, com vista para mar. Depois de conhecer os templos, fiz uma visita ao museu, que reúne artefatos, joias e esculturas antigas. Terminei o passeio vendo a múmia da Senhora de Cao, governante local, com sua pele preservada e tatuada com serpentes, peixes e outras imagens.
Um passeio também imperdível é uma visita a Chan Chan (Sol Sol, traduzindo), que já foi a maior cidade de barro do mundo. Patrimônio cultural da humanidade pela ONU, ela me impressionou pela grandeza e beleza, principalmente de seus muros de 9 metros de altura, que contornam a cidade. A cidade já foi capital do reino Chimo, um dos mais poderosos na América do Sul, que reunia 50 mil habitantes. Segundo moradores atuais, ainda são muitas as áreas em ruínas a serem exploradas. E não é raro uma família encontrar artefatos e partes da grande cidade de barro quando vai reformar uma casa.
Apesar de curta (uma semana), a viagem cheia de atividades e muito intensa! Para quem ficou com vontade, Chicama está a 45 minutos de carro de Tujillo, que por sua vez está a 1 hora de avião de Lima, capital do país.
Anote aí:
>> www.culturaperuana.com.br (para saber mais sobre o país).
>> www.surftravel.com.br (operadora especializada em viagens de surfe).