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Diário do Bravo: última navegação em águas brasileiras


Por Matias Eli, especial para o Webventure | 12/03/2010 - Atualizada às 12:01



Matias se prepara para a perna Salvador - Fortaleza
Matias se prepara para a perna Salvador - Fortaleza
Foto: Matias Eli/ Arquivo pessoal
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De Salvador a Fortaleza - Após uma semana intensa de manutenção, o Bravo estava pronto para seguir viajem rumo a Recife, Fernando de Noronha e finalmente Fortaleza. Sai de Salvador numa quinta-feira e ao passar pelo farol da Barra, escuto a entrega da chave da cidade para o Rei Momo. A festa estava começando e ao olhar para fora da Bahia percebi que no meu carnaval (2009) iria ser de ressaca.

Ligo para casa enquanto tenho sinal de celular e falo com a Marina, minha filha mais nova, que me questionou o porquê de não estar em casa com ela. Quando vou responder, o sinal acaba e a linha cai. Na minha frente uma noite escura, sem estrelas nem lua, ondas grandes e desencontradas e muito vento. Chovia na horizontal. Nestas horas a pergunta que vem na nossa cabeça e sempre, a inevitável: “o que estou fazendo aqui?” Em fim, fiz uma redução nas velas, verifiquei meu rumo e conferi o meu TTG (Time To Go), mais conhecido como “quanto falta pra chegar?”. 78 horas!

O rumo era contra o vento, mas o barco andava bem, o problema era que a corrente também era contra, o que me roubava duas milhas por hora. Então lembrei que da última vez que havia navegado neste mesmo trajeto, eu e minha tripulação nos escondíamos da corrente navegando relativamente próximos da costa.

A diferença era que desta vez eu estava sozinho, não teria ninguém para revezar nos turnos da noite. E quando navegamos próximos da costa não podemos nos descuidar um segundo e não podemos deixar o barco no piloto automático por períodos longos.

Decisões - Sendo assim, eu precisaria decidir entre diminuir o impacto da corrente navegando próximo da costa sem poder pregar o olho, ou uma navegada mais demorada, por conta da corrente contraria, porém, mais tranqüila. Acabei optando por uma solução intermediária. Durante o dia me aproximava da costa e a noite navegava mais para mar aberto em busca de águas profundas sem redes de pesca, nem trânsito de embarcações, onde me permitia dormir em intervalos de até uma hora e meia.

No segundo dia o vento apertou, ventava 27 nós e o Bravo estava super equilibrado. Navegava rápido, fazendo 10 nós de velocidade com o barco pilotado pelo leme de vento, que funciona sem consumir energia elétrica, apenas com a força do vento. Tinha os tanques cheios de água, os armários cheios de comida e de roupas secas, o barco voava sobre as ondas, que já não me amedrontavam. Foi nessa hora que eu me lembrei o que estava fazendo ali.


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